Nas férias do meio ou
do final de ano, Bia sempre ia pra casa do pai passar alguns dias. O pai dela morava
numa fazenda que ficava bem longe da cidade; quando ela aparecia, o velho
ficava satisfeito.
Na fazenda,
o pai de Bia morava sozinho e não tinha empregada. A garota até gostava, pois se
sentia a dona da casa, pelo menos por alguns dias.
Acabado
de completar 15 aninhos, Bia já era bem madura pra sua pouca idade. A vida
tinha lhe mostrado como ser forte; além do mais, ela tinha um bom exemplo para
se espelhar: a mãe.
Assim
que chegava, Bia arregaçava as mangas e logo dava um jeito na bagunça do
casarão velho, que não era pouca. A sujeira nem se fala; era muita poeira
depositada sobre os poucos móveis que ficavam espalhados pelos vários cômodos
da casa.
O
pai de Bia falava pouco e ficava olhando pra filha que estava virando moça. Bia
não demoraria arrumar um namoradinho. Isso deixava o pai enciumado, que
imediatamente tratava de pensar em outras coisas.
Mas
o que Bia gostava mesmo era das tardes em que o pai ia até o quintal e cortava
o cacho de banana mais bonito. O café que ela coava ficava no copo mesmo, pois
a garrafa térmica tinha quebrado e ninguém havia comprado outra. Depois de
descascada, a banana era cortada em rodelas e frita no óleo. Acompanhada com café,
ficava deliciosa. Bia adorava tudo aquilo e sentia-se feliz por estar ali.
Então,
ela e o pai iam até a janela da cozinha e ficavam avistando a serra, onde tinha
uma nascente d’água. Bia perguntava ao pai aonde estavam os cabritinhos. O pai,
satisfeito, mostrava os pontinhos brancos no alto de uma pedra.