Pelas voltas do rio Suaçuí, muitas histórias ainda são
contadas, pelos moradores que ali vivem. Um lugar que é longe de tudo, longe
até mesmo da cidade mais próxima. A distância só é diminuída pelas notícias
trazidas pela televisão ou, mais antigamente, pelo radinho de pilha.
Então Vítor começou procurar pelo pai, rodando pelos cantos
da fazenda. Nada de achar o velho! Ele procurou na matinha, no curral, pelos
pastos e nada. Só depois de muito procurar é que o Vítor teve uma ideia. O pai
deve estar na beira do rio Suaçuí.
Dito e feito, o Zeca estado sentado na margem do rio, que
corria volumoso, trazendo a enchente da última chuva. A cor da água era
barrenta e entre as pedras do rio, redemoinhos se formavam, oferecendo perigo a
quem quisesse cruzar aquelas águas.
- Pai, o que o senhor está fazendo aí, sozinho? E sem
comer até agora?
O Zeca,
que tinha tirado os sapatos, estava cabisbaixo; ele olhava, com tristeza, para o
rio que continuava o seu caminho.
- A
sua mãe, meu filho, vive brigando comigo. E o pior de tudo, eu não fiz nada de
errado.
- Deixa
disso pai. Vamos embora pra casa, foi ela mesma quem me pediu para procurar o
senhor.
- Não,
eu não vou voltar; eu vou me suicidar, vou pular nesse rio.
Vendo
que o pai estava blefando, Vítor resolveu provocar o velho.
- O
que o senhor está fazendo aí sentado, porque ainda não pulou no rio?
Irritado
com a falta de respeito do filho, o Zeca soltou uma de suas pérolas.
- Estou
esperando o pé esfriar para poder pular na água.