sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Uma historinha



            Pelas voltas do rio Suaçuí, muitas histórias ainda são contadas, pelos moradores que ali vivem. Um lugar que é longe de tudo, longe até mesmo da cidade mais próxima. A distância só é diminuída pelas notícias trazidas pela televisão ou, mais antigamente, pelo radinho de pilha.
            Nessas terras distantes, um dos seus ilustres moradores é o Zeca, famoso contador de histórias. Um dia, o Zeca brigou com sua mulher, a Dona Liquita, sem nenhum motivo importante. O fato é que muito chateado, o Zeca desapareceu. A briga foi de manhãzinha e a tarde já caia, quando, não se contendo mais de preocupação, Dona Liquita, pediu ao seu filho Vítor, que procurasse o pai, pois este nem almoçado tinha.
            Então Vítor começou procurar pelo pai, rodando pelos cantos da fazenda. Nada de achar o velho! Ele procurou na matinha, no curral, pelos pastos e nada. Só depois de muito procurar é que o Vítor teve uma ideia. O pai deve estar na beira do rio Suaçuí.
            Dito e feito, o Zeca estado sentado na margem do rio, que corria volumoso, trazendo a enchente da última chuva. A cor da água era barrenta e entre as pedras do rio, redemoinhos se formavam, oferecendo perigo a quem quisesse cruzar aquelas águas.

            - Pai, o que o senhor está fazendo aí, sozinho? E sem comer até agora?

O Zeca, que tinha tirado os sapatos, estava cabisbaixo; ele olhava, com tristeza, para o rio que continuava o seu caminho. 

- A sua mãe, meu filho, vive brigando comigo. E o pior de tudo, eu não fiz nada de errado. 

- Deixa disso pai. Vamos embora pra casa, foi ela mesma quem me pediu para procurar o senhor. 

- Não, eu não vou voltar; eu vou me suicidar, vou pular nesse rio.

Vendo que o pai estava blefando, Vítor resolveu provocar o velho.
- O que o senhor está fazendo aí sentado, porque ainda não pulou no rio? 

Irritado com a falta de respeito do filho, o Zeca soltou uma de suas pérolas.
- Estou esperando o pé esfriar para poder pular na água.