Geraldo
Melo. É homem sério e trabalhador. Trabalhou a vida toda na roça. Tem mais de
trinta alqueires de terra, que foram muito bem adquiridos. Nunca precisou
roubar. Pai do Zé Melo. Este, homem bravo da cara fechada. Não leva desaforo
pra casa, não! Sujeito orgulhoso. Já enfrentou homem rico e homem pobre. Para
ele, tudo a mesma coisa. Juntado com mulher divorciada; mora num rancho perto
da casa do pai, lá na “Cachoeira dos Costas”. O seu outro filho, Teotônio, é
rapaz discreto e calado. O oposto do filho mais velho. Sossegado, mora até hoje
na casa do pai. Quase não vai a rua, só em caso de muita precisão mesmo. É ele
quem cozinha o almoço. Atencioso, parece até uma moça.
Compadre
Gerado Melo. Agiota. Empresta dinheiro a juros para os outros. Nunca amolou
ninguém, não que eu saiba. Nunca fez lama na casa dos outros. Coitado, há pouco
tempo sofreu acidente grave. Ficou sem poder andar por uns dois meses. Você não
ficou sabendo? Já tinha anoitecido. Uma vaca de leite entrou no quintal de
casa. O velho chamou pelo filho. Mas, Teotônio estava na horta e não escutou. Sistemático.
Sempre gostou de resolver as coisas na mesma hora, sem incomodar ninguém. Então,
desceu as escadas da varanda e saiu no terreiro. Tocou a vaca, que berrava em
busca do seu bezerro. Em cima de uma ponte, ele se desequilibrou e caiu no
córrego. Na queda, uma perna quebrada e vários hematomas pelo corpo afora.
Teotônio ficou desesperado. Até promessa pela saúde do pai o rapaz fez.
Companheiro
Gerado Melo. Eu já peguei dinheiro emprestado com ele. Mixaria. Mas paguei sem
demora. Dias atrás, você não acredita que entraram na casa dele! Pobre coitado.
Foi apanhado de surpresa. Ele devia estar desprevenido. Dois homens armados
apareceram nos fundo da casa. Pularam a janela e entraram. Dentro de casa, renderam
pai e filho, na maior covardia. Levaram revolver trinta e oito, e uma espingarda
velha. Uma garrucha, objeto de estimação, que o Seu Gerado tinha ganhado quando
ainda era criança também se foi. Dinheiro? Os assaltantes levaram vinte e seis
mil reais em dinheiro vivo e uma nota promissora, que estavam guardados na
gaveta da cômoda, em um dos quartos da casa. Só não levaram mais porque o
restante do dinheiro estava emprestado. Cinquenta e cinco mil reais, a um por
cento de juros ao mês. Foragidos, até hoje ninguém deu notícia dos bandidos.