terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O bêbado pegador



           Eu já te contei o que aconteceu comigo quando eu fui a uma festa muito doida. Foi no meu primeiro ano de faculdade. Se não me falhe a memoria, pois já se passaram quatro anos, foi mais ou menos assim que tudo aconteceu. Eu fui com uns amigos. Era uma daquelas festas de bebida liberada que dura quatorze horas e a gente paga uma fortuna.

Para valer o ingresso, eu tomei todas. Mais desinibido com o álcool e encorajado pelos amigos chegou em muitas garotas. Em umas o papo colou, mas com as outras nem atenção ele recebeu.

Eu vinha na madrugada cantando, porque bêbado e assim mesmo, tudo e motivo pra alegria. A rua estava deserta e é nestas horas que a gente vira presa fácil de ladrão. Os amigos, que antes o acompanhava já não estavam mais, pois tinham seguido por outros caminhos.

            Mas graças ao protetor dos pinguços, o nosso amigo chegou bem em casa. A minha maior dificuldade foi abrir o portão. A chave não entrada no buraco da fechadura, só depois de muito custo é que consegui abri o portão.

Assim que ele puxou o portão passou uma mulata no passeio requebrando com sua sandália salto alto. Ele acompanhou aquela beldade com os olhos e viu a pele negra, os cabelos pretos e encaracolados, a cocha grossa e o bumbum empinado. Ele teve vontade de agarrar aquele mulherão. Ela estava vestindo vestido azul escuro coladinho no corpo o que desenhava suas curvas; o cheiro dela de perfume adocicado ficou no ar.

Sem pensar nas consequências ele soltou gracejos para aquela mulher que passava vindo sabe se lá de onde. Sabe o que foi que eu disse; disse que ela era muito gostosa e que eu estava doido pra ficar com ela.

            Até aí tudo bem, nada de anormal. Porém ele não esperava que aquela mulher misteriosa que também vagava pelas ruas vazias desse bola. Ela parou e parece que gostou de mim, pois sorriu. Eu retribui o sorriso e quando ela se aproximou beijei aqueles lábios carnudos que ainda estavam vermelhos de batom. Foi só beijo, não aconteceu mais nada.

Da mesma forma que ela apareceu ela se foi, sem falar nada. Uma coisa até hoje me atormenta o coração, como será a voz daquela mulata?

Depois que ela se foi, ele fechou o portão e subiu as escadas sem acreditar no acontecido; soltando os degraus ele dando gritos de alegria. Aquilo tinha salvo a sua noite. No outro dia, com a cabeça estourando de dor, ele recordava os fatos e achava que tudo aquilo tinha sido uma doideira.