Eu já te contei o que
aconteceu comigo quando eu fui a uma festa muito doida. Foi no meu primeiro ano
de faculdade. Se não me falhe a memoria, pois já se passaram quatro anos, foi
mais ou menos assim que tudo aconteceu. Eu fui com uns amigos. Era uma daquelas
festas de bebida liberada que dura quatorze horas e a gente paga uma fortuna.
Para valer o ingresso, eu tomei todas. Mais desinibido com o álcool e
encorajado pelos amigos chegou em muitas garotas. Em umas o papo colou, mas com
as outras nem atenção ele recebeu.
Eu
vinha na madrugada cantando, porque bêbado e assim mesmo, tudo e motivo pra alegria.
A rua estava deserta e é nestas horas que a gente vira presa fácil de ladrão. Os
amigos, que antes o acompanhava já não estavam mais, pois tinham seguido por outros
caminhos.
Mas graças ao protetor dos pinguços, o nosso amigo chegou
bem em casa. A minha maior dificuldade foi abrir o portão. A chave não entrada
no buraco da fechadura, só depois de muito custo é que consegui abri o portão.
Assim
que ele puxou o portão passou uma mulata no passeio requebrando com sua
sandália salto alto. Ele acompanhou aquela beldade com os olhos e viu a pele
negra, os cabelos pretos e encaracolados, a cocha grossa e o bumbum empinado. Ele
teve vontade de agarrar aquele mulherão. Ela estava vestindo vestido azul
escuro coladinho no corpo o que desenhava suas curvas; o cheiro
dela de perfume adocicado ficou no ar.
Sem
pensar nas consequências ele soltou gracejos para aquela mulher que passava
vindo sabe se lá de onde. Sabe o que foi que eu disse; disse que ela era muito
gostosa e que eu estava doido pra ficar com ela.
Até aí tudo bem, nada de anormal. Porém ele não esperava
que aquela mulher misteriosa que também vagava pelas ruas vazias desse bola.
Ela parou e parece que gostou de mim, pois sorriu. Eu retribui o sorriso e
quando ela se aproximou beijei aqueles lábios carnudos
que ainda estavam vermelhos de batom. Foi só beijo, não aconteceu mais nada.
Da
mesma forma que ela apareceu ela se foi, sem falar nada. Uma coisa até hoje me
atormenta o coração, como será a voz daquela mulata?
Depois que ela se foi, ele fechou o portão e subiu as
escadas sem acreditar no acontecido; soltando os degraus ele dando gritos de alegria. Aquilo tinha
salvo a sua noite. No outro dia, com a cabeça estourando de dor, ele recordava os
fatos e achava que tudo aquilo tinha sido uma doideira.