sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A vinda dela.



            Quando a porta abriu e ela entrou, o apartamento estava numa limpeza só. Ela gostou do que viu, elogiou. As horas de trabalho passadas esfregando e varrendo tinham sido válidas, a recompensa já tinha chegado. O que aconteceu, ali, foi mágica: da pilha de vasilhas amontoadas na pia da cozinha, eis o bojo brilhante; do banheiro esquecido, surgiu toalha de rosto e sabonete líquido para as mãos; o chão escuro e gorduroso, deu lugar para a brancura e o perfume de lírios do campo. 

            O ar agora estava leve e cheiroso, ela gostou, elogiou novamente. Ele se fez de bobo, ela não ficará sabendo, vai ser segredo. Sobre a cama, os edredons impecavelmente dobrados e milimetricamente distribuídos. 

Naquele dia de final de semana, a luz daquele quarto apagou mais cedo que de costume...