| Diamantina - MG |
Na varanda de uma casa, no distrito de Diamantina, dois rapazes conversavam quando olhavam as montanhas. Um deles era o Paracatu, cujo verdadeiro nome era Leonardo. O apelido foi por causa de sua cidade natal, que também ficava no estado de Minas Gerais. Entre uma conversa e outra, Paracatu fumava cigarro de palha. Costume, que segundo ele, aprendeu quando ainda era bem pequeno, com os vaqueiros da fazenda do pai.
De pele branca e gordo, Paracatu tinha as bochechas rosadas. Rapaz de boa prosa, falava sempre com a voz alta e gesticulando com as mãos e braços. A sua risada era escancarada e estridente. Talvez o seu maior amor, em vida, fosse às coisas da roça. Por isso escolheu a agronomia. Na porta do seu quarto tinha uma ferradura de cavalo. Independente da ocasião, ele nunca dispensava uma boa botina e um cinto de peão, com uma enorme fivela.
Fumando desde os doze anos de idade, ele só foi surpreendido pelo pai quando já era de maior. Aconteceu em uma festa de peão em sua cidade. Ele fumava tranquilamente em um canto, quando o seu pai apareceu de repente. O seu pai não brigou ou xingou, apenas o advertiu sobre os males do cigarro. A partir daquele dia, Paracatu escolheu continuar fumando e não precisava mais fazer isso escondido.
Só que agora era diferente, ele queria parar com o vício. O que não era nada fácil. Os seus dentes da frente já estavam pretos pela ação da fumaça. Segundo ele, o cigarro também atrapalhava muito na hora de arrumar uma namorada. O cheiro deixado na roupa e na boca era ruim. Sem falar na ressaca que o cigarro dava. Mas ele tinha estabelecido uma meta para conseguir parar de fumar. Iria diminuindo aos poucos, até não sentir mais a falta da nicotina.
Teve uma época que ele ficou sem fumar por um ano e meio. O sacrifício foi para agradar uma namorada, que não suportava o cheiro de cigarro. Mas o destino foi trágico. A sua namorada veio a falecer em um acidente de carro. Eles tinham completado dois anos de namoro. Foram muitos os momentos felizes vividos a dois. Na noite do acidente, Paracatu fumou sete maços de cigarro, na frente do hospital, a espera de notícias.
Mas os anos se passaram. Agora aquele rapaz vivia a vida de Diamantina. E era rara a noite que não tinha "farra". Em algum boteco da cidade ou em casa mesmo, ele sempre estava metido em uma roda de companheiros: cerveja da boa, tira-gosto, cigarro de palha, música sertaneja e muitos causos, dos bons, não faltavam. E assim o tempo ia passando com o Paracatu contando e recontando algum caso engraçado. Como a vez que o seu tio, de tanta raiva, quebrou o dente de um burro com apenas um soco.