Muita gente já deve
ter ouviu falar do Boi Bumbá, como é conhecido no Estado do Amazonas; ou do
Bumba meu Boi, assim chamado no Maranhão. Mas, poucas, são as pessoas que
conhecem a história por trás desse acontecido, que encanta o nordeste
brasileiro.
No
mês passado, eu tive a oportunidade de ir até São Luis do Maranhão, a estudo, viu? Sem saber os fatos da história, procurei descobrir perguntando as pessoas que
ali viviam e com quem pude conversar. Engraçado foi perceber que cada pessoa me
contava uma história diferente, me deixando com mais dúvidas ainda.
Então,
a partir de agora, divido com vocês o que escutei, sem deixar de acrescentando,
é claro, o meu ponto de vista. Espero que vocês gostem.
Pois
bem. A primeira coisa que ouvi dizer era que o vilão da história era o Boi.
Como assim? Isso mesmo, o Bumbá meu Boi era o vilão da história porque
engravidou uma índia. Agora, para pagar o pecado cometido e lavar a honra da
pobre índia, o Boi teria que ser sacrificado e morto, por isso a morte do Boi
na encenação. Beleza. Mas aonde entram, na história, todos aqueles personagens
da apresentação? Por que o Boi é ressuscitado no final?
Em
outra versão que escutei, surgem os novos personagens, o Fazendeiro, dono do
Boi, e o Capataz da fazenda, que assumiu o papel de vilão da história, que
ficou desse jeito.
Existia
um Fazendeiro muito rico e dono de terras sem fronteira. Em vida, o tal Fazendeiro
tinha duas grandes paixões: a mulher e o seu Boi, que pelas qualidades de bom
reprodutor, era cobiçado por todos os outros fazendeiros da redondeza. O tal Fazendeiro
tinha se casado há pouco tempo, e só agora a sua mulher estava esperando o
primeiro filho. Como é de costume em uma gravidez, a mulher do fazendeiro logo
teve um desejo. Comer a língua do melhor Boi da fazenda, o Bumba meu Boi. O fazendeiro
ficou na sai justa. A culpa do filho nascer com cara de língua poderia cair
sobre suas costas. Mas como sacrificar o seu melhor Boi?
O
Fazendeiro foi sensato e optou por cortar a língua do Boi, satisfazendo o desejo da amada.
Até aí tudo bem, mas essa história ganha um toque de novela das nove. O
Fazendeiro nem suspeitava, mas a sua mulher o estava traindo com o Capataz da
fazenda, que era o verdadeiro pai da criança. Descoberta a traição, o Fazendeiro
levou duas apunhaladas pelas costas. A traição da esposa e a injustiça cometida
com o Bumba meu Boi, que deu a vida para satisfazer os desejos de uma sem
vergonha. Mas onde entra os índios? Tem alguma coisa errada.
Com
isso vem à última e mais aceita versão da história do Bumba meu Boi, que ouvi.
Ela trás novos personagens, que são os negros, Pai Francisco e Mãe Catirina.
Vamos a ela.
Há
muito tempo atrás, existia um Fazendeiro muito rico que tinha o maior apreço
pelo seu Boi. Na fazenda, moravam Pai Francisco e Mãe Catirina, negros que
trabalhavam para o Fazendeiro. Mãe Catirina estava grávida e teve o desejo de
comer a língua do Boi. Então, Pai Francisco corta a língua do Bumba meu Boi
para satisfazer o desejo da sua mulher. Quando ficou sabendo que o seu Boi
morreu, o Fazendeiro pede ajuda aos seus vaqueiros, os Vaqueiros de Fita, para
prender Pai Francisco, que desesperado foge com a sua esposa. Durante a fuga, Pai
Francisco tem a idéia de procurar a tribo indígena e pedir ao Pajé que faça um
ritual para trazer de volta a vida o Boi. O ritual indígena dá certo e o Boi é
ressuscitado.
A
história termina com uma grande festa, com a presença de todos: o Fazendeiro,
que perdoa Pai Francisco; os Vaqueiros de Fita, os Índios e as Índias, o Pajé e
como não podia deixar de faltar, Pai Francisco e Mãe Catirina, grávida de seu
bebê. Ah sim, não posso me esquecer do Bumba meu Boi, fazendo suas investidas
sobre as pessoas.