Quando a porta abriu e ela entrou, o apartamento estava
numa limpeza só. Ela gostou do que viu, elogiou. As horas de trabalho passadas
esfregando e varrendo tinham sido válidas, a recompensa já tinha chegado. O que
aconteceu, ali, foi mágica: da pilha de vasilhas amontoadas na pia da cozinha,
eis o bojo brilhante; do banheiro esquecido, surgiu toalha de rosto e sabonete
líquido para as mãos; o chão escuro e gorduroso, deu lugar para a brancura e o
perfume de lírios do campo.
O ar agora estava leve e cheiroso, ela gostou, elogiou
novamente. Ele se fez de bobo, ela não ficará sabendo, vai ser segredo. Sobre a
cama, os edredons impecavelmente dobrados e milimetricamente distribuídos.
Naquele
dia de final de semana, a luz daquele quarto apagou mais cedo que de
costume...
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